Ok, não foi direto de Lisboa. Primeiro, porque o hotel não tinha internet nos quartos, e eu detesto escrever na recepção do hotel ou no bar, que eram os lugares onde tinha wifi. Segundo porque, além disso, tinha que pagar extra, o que achei muito desaforo. Terceiro, quando liguei o notebook numa área de internet pública, ele avisou que o antivírus tinha expirado. E quarto, a tal internet pública lusitana era bem esquisita e não me deixava nem acessar os buscadores pra baixar um antivírus! Moral da história, larguei de mão e fiquei uma semana sem escrever aqui.
Bom, a viagem: quando for passar de um continente a outro em um voo de onze horas, pense muito seriamente na classe executiva. A econômica é, como o nome diz, a mais econômica. Em compensação, a gente passa a saber como uma sardinha se sente dentro da lata. Tem lugar para as pernas, admito, mas não para muito mais. As poltronas são estreitas e ficam definitivamente desconfortáveis depois de algum tempo. Tem TV miniatura pra ver, mas, na ida, meu controle não funcionava. A comida foi boa, servida em viandas de alumínio. Mais de 50% das aeromoças e comissários de bordo olhavam os passageiros como se eles fossem, realmente, sardinhas. Incômodas e desagradáveis sardinhas. São educados, ok, mas estava na cara que preferiam que nenhum de nós estivesse ali. Outro detalhe interessante é que, a certa altura, eles determinam que é hora dos passageiros dormirem. Mandam fechar todas as janelas e desligam as luzes na cabine. Quem não conseguir dormir, pode olhar TV ou ficar se retorcendo feito uma minhoca, porque a luz individual é fraca pra ler. Imagine então quem, como eu, prefere bordar! A ida para Portugal foi à noite (saímos de Porto Alegre 20:30h e chegamos lá 11h, alterando 4 fusos horários) e daí dormir até fazia algum sentido; na volta, saímos de lá 10:15h e chegamos aqui 17:30h, devolvendo os 4 fusos horários da ida. Toda a viagem foi de dia, mas fecharam as malditas janelas e apagaram a luz do mesmo jeito! Resumindo a viagem, teletransporte é uma das melhores ideias da ficção científica.
Portugal: um lugar simpático com a maioria das pessoas disposta a ser camarada e conversar. Tem muitos turistas, e as linguagens mais ouvidas são o português do Brasil (além do de Portugal, é óbvio), inglês, francês, alemão e outras que suponho serem idiomas escandinavos. Na prática, se todo mundo falar devagar e com boa vontade, usando palavras fáceis, a gente se entende. É bem divertido ouvir a pergunta feita numa língua e a resposta vir em outra, ou, o que é mais frequente, um mix de palavras fáceis de cada língua.
que eu tive mais dificuldade foi o tal telemóvel português. Custei a entender que estavam falando do telefone celular! A comida é excelente e se come bacalhau em todos os cantos. O vinho é melhor ainda!
O hotel: bom e organizado, apesar da muquiranice com a internet. Um bom café da manhã, quer dizer, pequeno almoço.
Primeiro dia de viagem, segunda-feira, 7 de maio: passamos atirados quase toda a tarde na cama, porque o voo nos demoliu. Além disso, estava chovendo. De noite, fomos jantar em um restaurante recomendado por amigos do Brasil, o João do Grão. Excelente bacalhau e excelente vinho. Depois da janta, a chuva deu uma folga e demos um giro nas proximidades do restaurante, que fica no centro histórico de Lisboa. Voltamos ao hotel sem incidentes, fim do primeiro dia. Dormimos feito pedras porque, depois de tanta bagunça nos horários, o organismo acreditou de bom grado que era mesmo hora de dormir.
Da janela do nosso quarto, víamos este prédio aí abaixo, chamado Praça de Touros. A parte de cima é pra touradas, e nem sabíamos que tinha touradas em Portugal! Abaixo, no subterrâneo, tem um shopping bem variado, com lojas, supermercado e praça de alimentação. E, abaixo do shopping, está a estação do metrô. Ficava a meia quadra do hotel, e virou nosso ponto de referência para eventuais retornos de táxi. Logo descobrimos que, se falássemos em Praça de Touros em vez do hotel, o percurso ficava bem mais rápido, direto e barato.
Bom, vou dando um resumo de cada dia da viagem por dia, porque é muito pra uma vez só.
Chegamos em Porto Alegre ontem, domingo, dia 13 de maio. O voo chegou bem na hora, 17:45h. A nossa mala maior só fez o favor de aparecer na esteira de bagagens quase às 19h - deve ter sido a última a sair do avião! E, pra completar, tinha o jogo final do campeonato estadual de futebol... A cidade estava uma loucura, com trânsito de dia de semana, não de domingo de noite. Como moramos do outro lado da cidade em relação ao aeroporto, foi mais de hora até chegarmos em casa. A filha e o genro nos buscaram no aeroporto. Os dois filhos, em casa, tinham arrumado uma bela mesa de janta, porque além de tudo era Dia das Mães. Foi um ótimo retorno!
Hoje, o dia foi passado em torno do desfazer as malas e colocar tudo no lugar. As roupas já estão quase todas lavadas, as coisas foram guardadas, e os presentes dos filhos entregues, é claro. Passei a manhã andando pela casa e colocando tudo no lugar. Mudei a decoração de banheiro de verão pra inverno (vou fotografar, mas não hoje!), rearranjei os enfeites da sala, meti ordem na minha penteadeira que tinha virado um depósito de coisinhas bonitinhas mas empilhadas. Sabe estas cômodas-bar antigas, com espelho por dentro e uma prateleira de vidro? A minha estava vazia e por arrumar há meses. Recoloquei a prateleira de vidro no lugar e amanhã ela vai ganhar copos e garrafas, que estão totalmente empilhados em outro guarda-copos. Me aborreci com as almofadas do meu quarto e elas foram as primeiras a entrar na máquina de lavar, primeiro as próprias almofadas e depois as capas. Pra encerrar o dia, dentista.
Ah, sim, e o bordado progrediu na viagem. Tive tempo na viagem de ida (antes de apagarem as luzes) e um pouco lá em Lisboa mesmo, enquanto o marido tirava suas sonecas. Considerando que era viagem, até que andou bastante!
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