D25 - está iniciando a fase de stress no posto de saúde. Mesmo sem bola de cristal, prevejo grandes tempestades pela frente...
Como eu já tinha mencionado, o posto está em obras de ampliação. Até agora, a obra ficava para trás do posto, e convivíamos da melhor maneira possível com marteladas, britadeiras, betoneiras, caminhões, material descarregado na calçada, falta de água porque eles mexeram não sei aonde, cheiro de esgoto porque a rede ficou aberta também não sei aonde, enfim, um porre. Em muitos dias, respirei aliviada quando o horário de trabalho finalmente acabava. Em outros, saí de lá com uma tremenda dor de cabeça.
(Parêntese: hoje, os amigos do alheio resolveram roubar alguma coisa da obra, mais o compressor da nossa dentista. Pra desligar o alarme, cortaram os fios de energia elétrica. Chegamos de manhã num posto com o portão arrombado, sem luz, com o compressor largado no meio do caminho porque - para nossa sorte - era pesado demais. Fecha parêntese.)
Mas, enfim, a obra, como toda obra, progrediu, apesar das várias interrupções. E agora estamos chegando ao interessante momento de fazer o telhado novo anexado ao velho, derrubar paredes, etc, etc. Ou seja, é a hora em que a gente cai fora, porque não vai dar MESMO pra trabalhar lá dentro.
A parte burocrática do posto e as vacinas vão para a sala multiuso da creche ao lado, onde a Prefeitura deve instalar divisórias, pontos de computador, telefone e coisas assim. Os médicos vão trabalhar em outro posto que tem salas vagas, e a dentista vai para um segundo posto onde tem sala de dentista disponível. Eu pedi para, se possível, ficar na sala multiuso junto com a burocracia e a vacina. Por isto, quando a chefe enfermeira e boa parte das técnicas de enfermagem foram lá resolver medidas e divisórias, fui convidada a ir junto. Pelo tamanho da sala, daria para ajeitar um consultório pra mim, eu acho. Dei uma sugestão e não me deixaram terminar de falar, dei outra e fui ignorada, e daí a pouco a chefe já estava dizendo que estava se arrependendo de ter me chamado para ir para lá. Antes de sair, avisei que estavam medindo as coisas em polegadas e não em metros... Deu pra sacar a confusão que isto vai dar? Avisei também que não ia dar pra trabalhar na quinta-feira, que é o dia da mudança, e a chefe disse que claro que dava. Hoje, no final da tarde, já estavam ligando e avisando que a agenda da quinta teria que ser transferida para algum outro dia, porque não ia dar pra trabalhar.
Outras previsões desta pediatra:
1. Prefeitura instalando divisórias, pontos de computador e telefone na data combinada - só quem acredita em Papai Noel embarca nesta. O atraso protocolar é de três a cinco dias úteis, sempre. Item seguinte: eles, fazendo tudo isto num dia só? Vai sonhando! Isto fora, é claro, todos os terríveis impedimentos técnicos que eles sempre encontram na hora de fazer o que juraram que era simples fazer.
2. Divisão de salas - vão perder um monte de espaço com as divisórias. Deviam fazer as separações com os próprios armários e arquivos, que são bem altos. E também estão inventado corredores, o que é sempre espaço perdido. Nem abri a boca quanto a isto.
3. A única torneira da sala vai ficar na sala das vacinas, mas eles vão instalar uma cozinha lá também. Sem torneira. Vai ser interessante. Estou começando a gostar da ideia de ir pra outro posto.
4. O povo, quando chegar pra alguma coisa, vai ter que ficar impreterivelmente na rua, porque estão empilhando o balcão da recepção na porta. Não tem nem toldo lá fora. E aqui, no inverno, chove. Vacinas = crianças = mães e crianças na chuva. Vão concordar filosoficamente, com certeza.
5. Dia marcado para a mudança: quinta-feira. Previsão do tempo pra quinta-feira: chuva. Como vão ter que transportar um monte de papelada, pela Lei de Murphy, vai chover mesmo. Eu fora desta. Vou adiantar minha agenda e me manter LONGE.
6. Previsão do engenheiro para o tempo em que a equipe deve ficar acampada: três meses. Então, deixe ver. Ele está dizendo que vai fazer um telhado, fazer todo o acabamento do posto (a parte nova está no tijolo), instalação elétrica, hidráulica, construção de escadas, reforma de cozinha e banheiros em três meses. Minha previsão otimista: se a Prefeitura não atrasar o pagamento de novo e se ele não parar mais uma vez a obra por causa disto, é serviço pra oito meses, mais ou menos. Também já avisei. Me disseram pra parar de agourar...
Bom, já que não devo agourar nem dar palpites, vou ficar na plateia, assistindo como isto rola!