segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

29 de janeiro a 8 de fevereiro

A última postagem aqui foi justamente no dia 29, e comentei o quanto o dia estava quente. Pois bem, à noite, o céu desabou sobre Porto Alegre. Aqui na região extremo Sul da cidade (onde moro), foi muito vento, muita chuva e a pior tempestade elétrica que já vi. Dava medo até chegar perto das janelas, e eu não sou das assustadas com temporais. Faltou energia elétrica por algumas horas e retornou de madrugada.

Descobrimos que, aqui em casa, fomos afortunados.

Um verdadeiro ciclone ou tornado - não sei o que a meteorologia oficialmente diz; já disseram tantas coisas "oficiais" que não dou mais atenção - veio do nosso rio (lago) Guaíba, entrou pelo Parque Marinha do Brasil, derrubou ou quebrou cerca de 40% de suas árvores adultas, seguiu pelos bairros Menino Deus, Cidade Baixa e Santana e causou caos em outros bairros da cidade antes de se dissipar. Por que não dou atenção ao que a meteorologia diz que foi? Porque eu vi, e só vendo para acreditar no que o vento fez. Árvores enormes foram arrancadas pela raiz. Árvores de madeira muito dura foram giradas e desgalhadas, como se alguém tivesse puxado seus grossos galhos fora até não restar nenhum. O Cisne Branco, grande e tradicional barco de passeios pelo Guaíba, afundou. A cidade ficou sem energia elétrica por dias. Vidros explodiram nos shoppings e hospitais como se fosse cena de filmes. Há locais, no Marinha do Brasil e no Menino Deus, onde parece que explodiu uma bomba. São dez dias desde o "temporal" e apenas foram retiradas as árvores que estavam obstruindo as ruas - e ainda há ruas interditadas. Bairros centrais da cidade demoraram mais de dois dias a ter a energia restaurada, apesar das equipes trabalhando dia e noite. Abaixo seguem algumas fotos, mas nenhuma delas pode dar a correta impressão do que aconteceu aqui. Foram mais de 2.000 árvores derrubadas ou seriamente danificadas e 140.000 pessoas sem energia elétrica. Agora, dez dias depois, cidade continua tentando se recuperar.

Explicações oficiais:


"O Metroclima da Prefeitura de Porto Alegre classificou a tempestade como “macroburst”, um fenômeno meteorológico incomum, onde uma forte corrente descendente de vento se espalha de modo radial, a partir de um ponto central, sendo capaz de gerar rajadas tão fortes e destruidoras quanto as de um tornado intenso." (link)

"O evento pode até ser comparado a um furacão. Apesar de as origens serem diferentes, a meteorologia classifica como furacão de categoria 1 situações em que se registrem ventos de mais de 117km/h. Mas o que aconteceu em Porto Alegre não foi propriamente um furacão. Até agora, o provável é que tenha sido um fenômeno conhecido como microexplosão, tempestades de vento que se formam em nuvens do tipo cúmulo-nimbo em razão do encontro entre ar quente e frio." (link)
Sei não. Eu vi árvores que foram torcidas e arrancadas por um vento que girou, não se irradiou a partir de um ponto focal! Tudo bem, tinha as que pareciam derrubadas por uma explosão, mas tinham outras que explosão alguma justifica!


Do ponto de vista pessoal, foram dias de trabalho e muito cansaço. Mallerey mandou o Anjo Negro de volta para a segunda revisão (trabalho por etapas, sempre. Primeiro tiro o grosso do caminho, depois torno a revisar para ajustar as miudezas) e a primeira prova de Talismãs, o meu livro, veio da diagramadora. E sábado e domingo eu dormi quase o tempo todo. Estava exausta. Agora já estou só cansada. Melhorou.