Quinta-feira
Consultório de manhã. Dos seis pacientes agendados, vieram dois! A continuar desse jeito, vou acabar dando razão à minha secretária, que diz que é perda de tempo agendar crianças em manhãs geladas como as nossas. E, no momento em que eu fechar a agenda da manhã, todo mundo vai querer horário de manhã, na certa. Também passei no Correio e mandei, por carta registrada, o pedido de ISBN da editora. Até que enfim!
Tarde: posto de saúde, iniciando a tarde pela chatíssima e tradicional reunião das quintas-feiras. No fim da reunião, a chefe chamou a gineco e eu para uma conversa reservada, que foi tudo menos reservada. Tinha gente abrindo a porta de um em um minuto. Mas, enfim, o motivo da conversa era a dívida de horas que temos. A sugestão da prefeitura era compensarmos em trabalho durante a Copa do Mundo, que tal? Não estão conseguindo pessoal e agora querem apelar para todos os recursos. Quase ri da cara dela, a gineco se indignou (como sempre). O que eu devo em horas, é em HORAS, não em trabalho. Apesar das vezes em que atrasei ou saí mais cedo, todos os pacientes foram rigorosamente atendidos. Meu TRABALHO foi feito. Faltam HORAS, que eu vou recuperar sentadinha lá, lendo ou bordando, sem atender paciente algum. E fim.
E todas essas reuniões e conversas atrasaram o início do atendimento da tarde, e os pacientes empilharam espetacularmente...
Noite: recebi o orçamento da gráfica que era para ser a mais barata. Maior beleza! Cisne sairia exatamente o dobro do valor de Linhagens, que tal? Estão sonhando. Pra complicar minha vida, a gráfica que fez Linhagens está numa mega confusão, ameaçada de concordata. Vou ter que garimpar alguma outra gráfica com valores civilizados.
Tem uma cidade dependurada debaixo dessas nuvens?

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