Segunda-feira
De volta à rotina, ou quase. Pela manhã, posto. A noite foi de temporal, metade do bairro ficou alagado com o transbordamento de um córrego, resumindo: dormi mal por causa de vento, trovoadas e chuva. No entanto, o posto não foi pesado porque mais da metade dos pacientes não vieram. Deu para administrar numa boa.
De tarde deveria ser consultório, mas havia chuva e um paciente só. Desmarquei. Vim para casa e fiz algumas arrumações genéricas, daquelas de manutenção mesmo. Vi diversos vídeos do curso de Proteção e Defesa da Eddie, ficou quase em dia.
E daí resolvi pegar uma prateleira de livros da garagem, do tipo "ninguém mexe faz anos". No meio, um livro cheio de flores secas e bilhetes falando do tempo de namoro. Engoli em seco, separei tudo, agradeci, me despedi e devolvi ao Universo. Isso quer dizer que queimei. Foi a última fez que aquelas flores e bilhetes me fizeram chorar. Não sobrou nada.
Game over, assunto encerrado.
E separei uma sacola bem grande de livros que vão para o posto amanhã. Deixei a estante vazia e os livros ao lado, porque acho que quase nenhum vai ficar. Só preciso decidir o destino de cada. A estante vai receber uma nova tarefa - um canto de bagunça daqueles poderosos que precisa de uma geral.
Novamente, só porque é bonito.
E eu estou precisando disso.
Fiz o que era necessário com aquelas lembranças,
mas doeu.
E não doeu pouco.

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