Não sei como é com as outras pessoas, mas, para mim, final de ano é uma época tensa. Tudo parece estranho, corrido, atropelado. Nem é tempo de colocar ordem na bagunça; é tempo de lutar para a bagunça não aumentar e tomar conta de tudo. É como se todas as coisas pela metade, todas as desorganizações - em resumo, toda a bagunça - resolvesse sair do seu canto quieto e se atravessar no meio do caminho, me fazendo tropeçar a todo minuto.
Claro que existe o tropeço metafórico, mas também é época de tropeços reais. Estou com o joelho esfolado como se tivesse me esborrachado de uma bicicleta no asfalto. Mas não foi isso, não. Foi a ponta do chinelo enganchando na ponta de um degrau quando eu voltava da prosaica tarefa de estender a roupa. Chinelo velho, degrau há anos no mesmo lugar... E, de repente, eis-me espatifada no chão. Além do joelho, que sofreu o maior impacto, sobraram ralados diversos em mãos e pernas e mais uma dor tirana nos ombros. Ah, sim, pra fazer companhia ao joelho ralado e duro, dois dentes resolveram doer também. Ao menos o remédio pra dor servia para a turma toda...
Estou me esforçando para colocar as coisas da editora em dia, mas não estou conseguindo. Estou me esforçando para escrever, não consigo também. As tarefas da casa atrapalham tudo, continuo sem faxineira. Carrie Fisher morreu aos 60 anos, como pode? E eis 2016 se despedindo...
E, pra completar, surge o inevitável balanço do ano, e este ano não foi fácil. Foi o tipo do ano em que vou evitar, até quando puder, essa coisa perigosa do "parar e pensar". Melhor NÃO pensar. Já passou. Já aprendi o que precisava aprender, espero. Se desse pra esquecer o motivo do aprendizado, seria ótimo...
Pra encerrar, hoje fiz mais um ritual para prosperidade em 2017. Que venha a prosperidade! Estou precisando!
E precisando me convencer dessa
verdade aí abaixo, também.

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