Terça-feira, D 89
Último dia de umas férias que foram tudo, menos férias, sendo que o dia iniciou com uma noite pessimamente dormida. Acordei quase às dez horas da manhã pensando que eram sete, de tão cansada que estava. Mesmo meio virada em zumbi, consegui manter o ritmo no final da manhã: um pouco de escrita, fazer almoço para o marido, combinar que ele traria itens pra uma janta legal...
De tarde, o cérebro não engrenava. Coloquei o telefone pra carregar e fui para o pátio, arrumar algumas orquídeas que há muito tempo exigiam minha atenção. Não queria terminar as férias sem colocá-las nos seus novos lugares, em vasos e árvores. Foram umas duas horas de jardim, que me melhoraram um pouco o ânimo.
E eis que o marido chega batendo portas de carro e reclamando que ora, eu estava no jardim, por isso não tinha atendido o precioso celular! Eu era uma irresponsável porque tinha que andar com o treco pendurado o tempo todo, e ele ia dar uma volta no pátio para espairecer por eu não ter atendido suas ligações. Observação: ele é do tipo que interrompe o almoço pra falar mais de vinte minutos ao celular, como fez hoje.
E depois vem dizer que faz isso porque se preocupa.
Piorei, tentei conversar, piorei mais ainda porque a criatura sempre tem razão. Então, encerrei o assunto e agora estou melhor comigo mesma. Nem preciso dizer que a janta legal foi para o arquivo das coisas a não serem feitas. Por mim, ele podia ter comido sopa de pedra hoje. Comeu sei lá o quê. Não me interessei.
Preciso dizer que o marido não gosta de gatos?
Não.
Acho que não preciso.

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